O Dia do Senhor e o Culto Reformado

por Ian Hamilton

Até algum tempo atrás, uma das marcas distintivas do culto reformado era o seu compromisso com a santificação do Dia do Senhor como o tempo divinamente prescrito para que o povo da aliança de Deus adorasse esse Deus da aliança.

Esta perspectiva puritana possivelmente está melhor demonstrada na Confissão de Fé de Westminster:

“Como é lei da natureza que, em geral, uma devida proporção de tempo seja destinada ao culto de Deus, assim  também, em sua Palavra, por um preceito positivo, moral e perpétuo, preceito que obriga a todos os homens, em todas as épocas, Deus designou particularmente um dia em sete para ser um sábado (= descanso) santificado por ele; desde o princípio do mundo, até a ressurreição de Cristo, esse dia foi o último da semana; e desde a ressurreição de Cristo, foi mudada para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado dia do Senhor (= domingo), e que há de continuar até ao fim do mundo como o sábado cristão”.
           
Dizendo isso, os puritanos estavam em consonância com os reformadores ao dizer que o shabbat (sábado) não era o único dia em que o povo de Deus se reunia para o culto e também não estavam dizendo que a adoração é um tipo de atividade exclusivamente corporativa e que apenas acontece quando a igreja se une para adorar.

Foram os reformadores e puritanos que resgataram para nós a idéia de que adoração é a resposta do crente momento após momento à Palavra de Deus. Ao mesmo tempo eles tinham uma convicção apaixonada quanto a este ponto. Diziam que o culto cristão tem que ser ancorado e baseado no Dia do Senhor. Existe um debate que sempre está presente entre os próprios reformados com relação ao Dia do Senhor e o shabbat (sábado). Devemos considerar o Dia do Senhor como o shabbat? Isso ficará claro à medida que formos expondo o assunto.

Os que crêem na perpetuidade do sábado cristão como sendo uma ordenança da graça que é obrigatória para todo povo de Deus, precisam lembrar que não estamos simplesmente engajados num conflito para persuadir nossos irmãos em Cristo e que passagens como Colossenses 2:16-17 não estão abolindo o sábado cristão que foi instituído na criação. Nossa batalha é muito mais séria que isto, pois estamos batalhando para resgatar os irmão cristãos dos efeitos corrosivos da cultura contemporânea. O que estamos dizendo é, que o assunto tratado aqui, dentro da tradição reformada, não é somente de persuadir nossos irmãos em Cristo do caráter divino, mandatório do sábado cristão (shabbat) como sendo uma ordenança vinda da criação e do Evangelho, mas na verdade estamos diante de um trabalho ainda mais exigente. Ou seja, de persuadir nossos irmãos em Cristo da sabedoria daquele que nos deu o shabbat, do regozijo que é o sábado cristão e dos efeitos corrosivos e fatais de permitirmos que nossa cultura contemporânea venha formatar nossa vida espiritual e dos nossos filhos.

Fiquei extremamente espantado quando, há alguns anos, passei um período nos Estados Unidos e vi que o dia da final do campeonato de futebol, o evento esportivo mais enfatizado do ano, era praticado no Dia do Senhor e que muitas igrejas evangélicas, cristãs, naquele dia, até mesmo que professavam a fé reformada, cancelavam até os seus cultos dominicais para permitir que as pessoas fossem assistir este jogo. Quase não acreditei que isso estivesse acontecendo. Porém, disseram-me que mais igrejas mudariam até o horário de culto para permitir aos crentes irem a esta final de campeonato.

Eu tenho um filho que gosta muito de futebol e gosta muito de jogar. Outro dia ele me perguntou por que se marcavam tantos jogos exatamente no Dia do Senhor. Meu filho gosta muito de futebol e por isso fica frustrado quando não pode jogar e sente falta do jogo, mas mesmo assim não deixa de ir à igreja para participar dos jogos de futebol e nem ao menos pensa nisso. Mas percebo que esta situação vem continuamente se projetando para tomar controle sobre a igreja.

Levanto esta questão porque o problema não é realmente a guarda do sábado cristão, mas é algo mais profundo que isso. O assunto com o qual nos deparamos é o caráter de Deus, a Sua autoridade, a verdade de Sua Palavra e a sua suficiência. Se estamos convencidos que Deus é bom, somente bom, e que todos Seus caminhos para Seus filhos são sábios e agradáveis, isso nos deveria persuadir a abraçar com alegria a santificação do Dia do Senhor. Não deveríamos ser levados a pensar que as leis do Dia do Senhor não são mais para nós hoje e que por isso têm sido abandonadas por muitos cristãos que professam a fé reformada e que têm se esquecido de santificar este dia. A razão para isso é que eles não têm compreendido o sentido do Dia do Senhor.

O problema é mais profundo. A verdade é que as pessoas perderam o contato de quem Deus é. Creio que dificilmente poderíamos duvidar que, quando o Dia do Senhor não é uma ordenança graciosa, o culto na igreja deteriora e em seguida a sociedade deteriora. O Dia do Senhor é um testemunho da grande benignidade de Deus para com Seu povo e nos dá um tempo divinamente apontado por Deus para que nós O adoremos e Deus mesmo nos dá o foco apropriado em relação à Sua adoração.

Quero apresentar dois aspectos com respeito à guarda do Dia do Senhor.
1) Explicar o caráter obrigatório do Dia do Senhor para o cristão; essa era a convicção dos reformados e puritanos e que surgiu de uma compreensão correta das Escrituras.
2) Destacar o significado e os benefícios de se observar o Dia do Senhor reservando-o para um culto que honra a Deus.

Caráter Obrigatório
I) Inicialmente gostaria de dizer que o Dia do Senhor foi instituído por Deus na criação. Lemos em Gênesis 2 que Deus terminou sua obra no sexto dia e no sétimo descansou do que havia feito. Deus abençoou o sétimo dia e o santificou porque nele descansara de todas as obras que havia feito. Antes que o pecado entrasse no mundo Deus já havia providenciado um sábado (descanso) para Adão e Eva e seus filhos. Nas palavras do grande presbiteriano John Murray, o sábado é uma ordenança da criação dada por Deus para o benefício de todas as Suas criaturas. Geralmente se diz que Calvino ensinava que o sábado, como dia de descanso, havia sido ab-rogado na dispensação do Novo Testamento. Para apoiar isso, são citados seus comentários sobre o quarto mandamento e sua exposição em Colossenses 2:16-17. Sem dúvida existe alguma diferença entre a perspectiva de Calvino e os puritanos, mas na minha opinião são circunstanciais e pequenas. Quando lemos o que Calvino escreveu no seu comentário de Gênesis 2:3, escrito em 1561, dois anos depois da edição final das Institutas, o que é bastante significativo, encontramos uma exposição que o reformador faz de forma sucinta, da sua perspectiva do sábado cristão. Calvino disse:

“Quando ouvimos que o sábado foi ab-rogado pela vinda de Cristo, devemos distinguir o que pertence ao governo perpétuo da vida humana e o que pertence propriamente às figuras antigas. O uso destas foi abolida quando a verdade foi cumprida. Descanso espiritual é a mortificação da carne ao ponto de que os filhos de Deus não devem viver para si mesmos ou permitir livremente as ações de suas inclinações. Assim, na medida que o sábado era uma figura desse descanso espiritual, eu digo que isso foi somente por um tempo (obs: com isso os puritanos concordariam). Mas, na medida em que foi ordenado aos homens, desde o início, de que eles deveriam se engajar no culto a Deus, é legítimo que o sábado cristão deva continuar até o fim do mundo. O sábado é uma ordenação da criação que é perpétua”.

II) A segunda coisa que tenho para afirmar é que o sábado cristão está baseado no exemplo divino. Esse é o ponto de Moisés em Êxodo 20:11. O ritmo do homem alternado entre trabalho e descanso é o sério padrão do ritmo criador. John Murray faz a seguinte afirmativa: “Podemos pensar no exemplo que Deus nos deu de trabalho e descanso como sendo um padrão de conduta eterno para a raça humana nas ordenanças de trabalho e descanso”.

III) A ordem de Deus para que guardemos o Dia do Senhor está embutida nos dez mandamentos. O quarto mandamento garante e valida a permanência do mandamento para guardarmos o Dia do Senhor e estabelece a guarda do sábado cristão no coração da vida de adoração do povo de Deus. Acho absurdo quando ouço irmãos que, dizendo-se reformados, tentam me convencer que o “shabbat”, o sábado, foi abolido, deixando um dos dez mandamentos fora de validade para a vida do povo de Deus. Na verdade, Deus deu validade à guarda do sábado por colocá-lo dentro do decálogo.

IV) Nosso Senhor Jesus Cristo destacou a importância da permanência do shabbat. Jesus nos diz em Marcos 2.27: “O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado”. O que mais poderíamos dizer com relação a isso? A minha preocupação é simplesmente mostrar a importância do fundamento da guarda permanente do shabbat. Deus tem gravado esta verdade em Sua Palavra e nós nos desviamos dessa ordenança apenas para sermos prejudicados espiritualmente. Pertence nossa obediência à verdade revelada de Deus e nossa submissão ao nosso Pai amorável. Tendo estabelecido o fundamento bíblico para o dia do Senhor e considerando a transição do sábado para o domingo, quero considerar quais os benefícios e o significado de guardar o dia do Senhor.

Significado e Benefícios
I) O shabbat nos dá uma oportunidade de buscar o Senhor e adorá-lo sem distração. No ano passado passei um tempo no Marrocos visitando famílias cristãs. Viver num país muçulmano como aquele significa não ter liberdade para guardar o Dia do Senhor como os cristãos gostariam. Mas em países como Brasil e Escócia ainda temos o privilégio precioso dado por Deus de preservar e guardar o Dia do Senhor como um dia santo. Irmãos, valorizem o Dia do Senhor; lutem por ele; os assuntos relacionados com a guarda do dia de descanso são profundos. Essa provisão que Deus nos faz que o adoremos sem distração alguma é uma visão que vem do próprio Deus.

II) O shabbat nos dá oportunidade de adorar coletivamente a Deus e buscá-lO juntos. O shabbat enfatiza o caráter bíblico e corporativo do culto que se deve prestar a Deus. O nosso Deus fez uma provisão graciosa por seu povo. Ou seja, que O adoremos juntos. Esta verdade perece dia após dia em nossa época. Desde o iluminismo, na cultura ocidental e particular, o indivíduo tornou-se o centro de todas as coisas e essa preocupação absorvente com o indivíduo desfechou um golpe mortal no pensamento bíblico com respeito à aliança. Os cristãos não têm mais qualquer doutrina, não têm mais esta compreensão do caráter coletivo da Igreja, e mesmo cristãos que se professam reformados não têm mais qualquer sentido do caráter corporativo do culto da aliança. Estou cada vez mais convencido que o sábado cristão é talvez o meio principal usado por Deus de educar o seu povo na vida e no culto do pacto. Guardar o Dia do Senhor, o sábado cristão, é o antídoto poderoso para aquele individualismo absorvente que marca tanto o mundo que nós vivemos como a igreja de Cristo.

III) O shabbat coloca diante de nós os grandes feitos de Deus na criação e na redenção. No sábado cristão somos graciosamente capacitados por Deus em nos centralizarmos na criação e na redenção e despertar nossos corações e mentes ao seu louvor. Calvino coloca o seu dedo exatamente nesse ponto. No livro II das Institutas, capítulo 8, ele diz:

“Durante o repouso do sétimo dia, na verdade, quando Deus determinou que se descansasse no sétimo dia, o legislador divino queria falar ao povo de Israel do descanso espiritual quando os cristãos devem deixar de lado o seu trabalho para permitir que Deus trabalhe neles”.

Em outras palavras, o shabbat nos dá oportunidade de repousar de nossas próprias obras e nos concentrar nas obras de Deus. Nesse sentido, o shabbat é um símbolo evangélico, um glorioso símbolo semanal da justificação gratuita. Nós vivemos em uma época em que os cristãos andam em busca de sinais e símbolos. Demos a eles o grande símbolo do Evangelho: um dos grandes símbolos e sinais do Evangelho é o shabbat que nos foi dado por Deus.

IV) O shabbat destaca a importância dos cultos matinais e vespertinos. Parece muito simplório. Mas mesmo assim é importante falar deles. Honrem o sábado cristão, não somente uma parte dele, mas como um todo. Se havia uma coisa que caracterizava a religião puritana, a prática puritana, era a maneira cuidadosa que brotava de seus corações e pela qual eles se entregavam alegremente, de forma não legalista, à guarda do Dia do Senhor.

V) O Dia do Senhor é uma preparação para o céu. Ouçamos as palavras de Richard Baxter: “Qual o dia mais apropriado para subir ao céu do que aquele em que Ele ressurgiu da terra e triunfou completamente sobre a morte e o inferno? Use o seu shabbat como passos para a glorificação até que tenha passado por todos eles e chegue à glória”. A religião puritana floresceu no solo regozijante da guarda do sábado cristão. É por causa destas coisas que somos chamados em Isaías 58, pelo próprio Senhor, para considerarmos o sábado como um deleite e a isso ele adiciona uma promessa. Se guardarmos seus sábados como sendo um deleite, encontraremos nossa alegria no Senhor.

Esse capítulo 58 de Isaías é mais uma confirmação de que a guarda do sábado cristão deveria ser considerada como parte da Lei Moral e não simplesmente mais uma observância pertinentes às leis cerimoniais. Esta passagem de Isaías onde o mero cerimonialismo é denunciado pelo profeta, há um apelo para a guarda do sábado como sendo importante para o culto espiritual.

Sei que existe o perigo de dar ao sábado cristão um lugar central no culto, fazendo com que ele torne-se um exercício de justiça própria. Sabemos da condenação tremenda feita pelo Senhor em Isaías 1. Mas os crentes reformados deveriam guardar o Dia do Senhor de forma santa. Devemos chamá-lo de um deleitoso. Por quê? Por causa de nossa obediência ao nosso Deus e amor ao nosso Salvador. Jesus disse: “Se vocês me amam, guardem meus mandamentos”.

Neste sentido a guarda do Dia do Senhor, o sábado cristão, ou é o resultado da obediência legalista, ou da obediência evangélica. Se for o produto de uma obediência legalista, a guarda do dia do Senhor será sem alegria, monótona, formal e alguma coisa que simplesmente traz auto-justiça e vaidade pessoal. Mas se a guarda do Dia do Senhor é o resultado de uma obediência evangélica, será profundamente regozijante. Diremos como o salmista: “Alegrei-me quando me disseram, vamos à casa do Senhor”. Se for uma guarda por causa de uma obediência evangélica, será algo refrescante que nos revigora e nos humilha.

John Murray, cujos escritos trouxeram uma impressão inapagável na minha vida quando moço (Por exemplo: Redenção, Conquistada e Aplicada (Cultura Cristã ― Obra que considerei como a melhor peça sobre justificação jamais escrita por alguém), disse: “O shabbat semanal é uma promessa, um sinal, e um antegozo daquele descanso consumado. A filosofia bíblica do shabbat é de tal maneira, que negar sua perpetuidade é privar o movimento da redenção de uma das suas mais preciosas características”.

 Vivemos numa época em que mais do que nunca precisamos resgatar o shabbat para o povo de Deus, porque amamos o povo de Deus e desejamos seu bem diante de Deus. Sabemos que Deus quer abençoar Seu povo com isso. Mas sabemos também que a bênção que Ele deseja dar nunca virá sem a honra que o povo deve ao Dia do Senhor. Pelo bem espiritual dos nossos filhos devemos educá-los ensinando a honrar o Dia do Senhor, mas não como uma coisa rotineira e sem alegria. Como poderia o cultuar a Deus e esperar nEle ser algo monótono ou cansativo? Na verdade, o Dia do Senhor foi algo criado por Deus para o bem de Seus filhos. Estou quase convencido que o sucesso dos puritanos pode ser traçado por seu compromisso de guardar o Dia do Senhor para honra de Deus. Deus abençoou grandemente seus labores, seus escritos, porque foram homens e mulheres que honraram o dia do Senhor.

Finalmente cito Baxter porque creio que suas palavras expressam o coração da compreensão puritana com respeito ao shabbat: “Que dia é mais apropriado para subir ao céu do que aquele em que ele ressurgiu da terra e triunfou plenamente sobre a morte e o inferno? Use seus shabbats como passos para a glória até que tenha passado por todos eles e lá tenha chegado”.

O Dia do Senhor é para o povo do Senhor como um antegozo ou penhor do céu que nós tanto almejamos. Nós desejamos e sonhamos com aquele dia em que estaremos com o Senhor para sempre. Até que aquele dia venha, façamos do Dia do Senhor tudo aquilo que Deus gostaria que fizéssemos. Que seja o pulso palpitante da vida espiritual da Igreja e que partindo de nossa obediência evangélica nos reunamos para o encontro com nosso Deus e para receber as promessas que Ele decidiu nos dar, para aqueles que honram o Seu dia, porque assim honram aquEle que instituiu esse dia.
Amém.

15 comentários:

Marcelino Lira disse...

O Sábado Cristão é tão desprezado pelo evangelicalismo moderno que dizem até que todos os dias são do do Senhor. Ora, Calvino respondendo à esta questão disse "Sim, todos os dias nós devemos glorificar a Deus, nosso doador da vida, mas um dia ele escolheu diante de nossa fraqueza, pois sabe que não poderíamos guardar todos os dias da semana como santo Dia do Senhor(...) Por isso, por Sua misericórdia nos Deus o Shabbath Cristão, o Domingo, o Santo Dia do Senhor". Com isso poderíamos também inferir que se todos os dias da semana fossem Separados como Dia do Senhor então seria algo que nunca poderíamos fazer o que fazemos nele como o trabalho comum. Deveríamos todos os dias ter cultos solenes e todos os nossos deveres e tudo o que cabe a o santo Domingo. Claro que, não desprezando que em todos os dias devemos ser santos em Cristo, Mas Deus em Sua Santa Sabedoria santificou e abençoou o shabatth. Honremos então a Sua decisão e nos deleitemos neste dia e honremos ao Senhor no Seu Santo Dia, descansando Nele, ou seja, cultuando-o em espírito e em verdade e separando-nos ao exercício da santidade com todo afinco.

Reformado disse...

Excelente este artigo sobre o sábado cristão, o nosso domingo, o dia do Senhor.

Que Deus nos dê forças para guardarmos santo este dia e também coragem e amor para pregarmos e ensinarmos acerca dele.

Ezequiel Gomes disse...

Não existe a expressão "sábado cristão" na Bíblia. O que existe na Palavra de Deus é o sábado que é o sétimo dia da semana, e é expressamente diferente do domingo que é o primeiro dia da semana!

O sétimo dia foi o ÚNICO dia que Deus abençooou, santificou e no qual descansou. E o único que Deus pediu para ser guardado.

Guardar qualquer outro dia, pelas razões que forem, da forma como for, e deixar de guardar o sábado é apenas expressão de desobediência à lei de Deus, pecado...

Simples assim

Os Puritanos disse...

Sim, é verdade Ezequiel, não existe a expressão "sábado cristão" na Bíblia, como também não existe a expressão "Adventista do 7º Dia", ou mesmo Trindade etc. Mas será que isto por si só define alguma coisa como certa ou errada?
Cremos que Deus Pai ressuscitou ao Senhor Jesus, Deus Filho, no Domingo; cremos também que o Senhor Jesus se apresentou aos apóstolos e discípulos no Domingo; cremos que o Espírito Santo, Deus Espírito, foi dado à igreja, quando reunida, no Domingo; cremos que neste mesmo dia "os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas" (At 2:41). A pregação da Palavra, o Partir do pão, as coletas etc., tudo era observado no primeiro dia da semana (At 20:7; ICo 16:2).
De qualquer forma, Ezequiel, embora zelemos por este dia, o sábado cristão, cremos que a salvação é pela graça mediante a fé no SENHOR Jesus Cristo, e isto não vem pela guarda de um determinado dia, seja ele qual for.
Cremos que e simples assim!

Luiz disse...

Olá amigos

Boa noite

Como explicar Romanos 14:5 ?

um abraço

Luiz

Os Puritanos disse...

Caro Luiz, nós devemos explicar o texto à luz do ensino claro e geral das Escrituras, bem como à luz do contexto imediato. Partimos do pressuposto de que as Escrituras não se contradizem, ela é inerrante e infalível Palavra de Deus, não parte dela, mas toda ela. Para uma explicação mais detalhada recomendo a leitura de bons comentários, como William Hendriksen, FF. Bruce entre outros.
Mas, em linhas gerais, podemos afirmar, sem vacilar, que devemos considerar e viver todos os dia para a glória de Deus ("quer comais, quer bebais... [1 Co 10:31]) pois devemos apresentar os nossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o nosso culto racional (Rm 12:1), e isso todos os dias, os 7 dias da semana (Êx 20:8-10). Não há dúvidas quanto a isso!
Porém, não pudemos negar, e o Apóstolo Paulo não nega isso nessa passagem, que temos um dia especial no sentido em que somos convocados por Deus para, juntos o adorarmos, ouvirmos a pregação da palavra, celebrarmos a Ceia do Senhor etc.(Êx 20:8-10; Sl 50:5; Sl 133; Hb 10:25; At 20:7). Em suma, durante os 7 dias da semana estamos a serviço do Senhor, em um deles estamos servindo-O num ajuntamento solene.
Um abraço!

Luiz disse...

Olá Os Puritanos

Bom dia

Muito obrigado pela resposta. Eu vejo muita coerência em se ter um dia do Senhor. Jesus não aboliu a Lei antes a aperfeiçoou i.e. a transformou poderosamente. No Antigo Testamento era o Sábado e um dos motivos pela qual o corpo de Jesus ficou sepultado no Sábado foi que nesse dia Jesus "enterrou" o Sábado e quando Jesus ressuscitou ele inaugurou um novo dia pois embora a Lei seja um todo nos Dez Mandamentos temos os aspectos morais por excelência e sendo assim o Dia do Senhor permanece agora como Domingo. É interessante notar que a expressão "primeiro dia da semana" ocorre 7 sete vezes indicando assim que o sétimo dia foi substituído pelo Domingo. Eu entendo que em Romanos 14:5 alguns recém convertidos ainda achavam que os dias de festa poderiam ser em dias iguais aos que estão em Levítico outros provavelmente criam que poderiam ser em outras datas porém seguindo a sequência e outros criam que poderia ser em qualquer dia. Em Colosenses 2:16-17 quando fala dos sábados são os sábados semanais pois alguns ainda guardavam e julgavam aqueles que não guardavam ou seja é mais um texto a favor do Domingo.Jesus ressuscitou no Domingo a descida do Espírito Santo foi num Domingo. Em Levítico 23 os dias de festa são variáveis porém logo no início o sábado é fixo ou seja o dia do descanso sempre é um dia fixo.

um abraço

Luiz

Os Puritanos disse...

É isso, Luiz. E observe que provavelmente, especialmente à luz do capítulo 15, a comunidade era composta de judeus e gentios, onde era de se esperar tais reações.
Abraço,
Heraldo F.A

Leonardo disse...

Olá Os Puritanos !
fiquei curioso de como saber que o dia de Pentecostes em atos 2:41 era domingo ?

abç !

Os Puritanos disse...

Leonardo,a festa de pentecostes ocorria 50 dias após a Páscoa. A contagem se inicia um dia após o shabat, sete semanas. Portanto, o quinquagésimo dia caía no primeiro dia da semana (Lv. 23:15-16).
Abraço

Danilo Romagna disse...

Pr. Paulo Brasil em Êxodo 20, o dia do Senhor. Excelente!

https://www.youtube.com/watch?v=rLiI0gBdL8w

aécio disse...

olá pessoal, sou um cristão engatinhando nas doutrinas reformadas e sinto falta de igrejas e comunidades evangélicas de tradição reformada no interior dos estados, digo especificamente do estada da Bahia, onde moro. congrego numa igreja pentecostal, pois foi onde tive meu primeiro contato com o mundo religioso, no entanto depois de ser impactado pelas doutrinas da graça me vi abandonado, pois é mais fácil ganhar na mega-cena do que encontrar igreja reformada em cidades pequenas. teno buscado me aprofundar no conhecimento das escrituras e crescer na graça do Senhor, mesmo em uma igreja de inclinação teológica tão diferente. mas em relação ao assunto abordado acima, não encontro respaldo bíblico, apenas a tradição da igreja cristã, para garantir a normatização do dia do Senhor como o domingo. creio que se fosse assim o próprio Senhor Jesus ensinaria aos discípulos que por sua vez ensinariam às igrejas. o apóstolo Paulo, que era ministro dos gentios e os outros apóstolos direcionados aos judeus(guardadores da lei de Moisés), precisavam abordar o tema com maior clareza para não prejudicar os irmãos da época. a tradição, e somente ela, nos leva a continuar nos reunindo no domingo para um culto público de adoração e louvor a Deus.

Os Puritanos disse...

Olá, Aécio. Infelizmente esta é a situação de muitos irmãos no Brasil. No seu caso, recomendamos entrar em contato com o Pastor Josafá. Ele pastoreia a Igreja Presbiteriana da Herança Reformada, em Salvador. Tente contactá-lo acessando o site da IPHR: http://www.iphr.org.br/
Ele, certamente, poderá orientá-lo.

Valter Jr. disse...

Olá,

Poderiam indicar bibliografias a respeito do assunto?

Abraços

Os Puritanos disse...

Boa tarde! "O Dia do Senhor", Joseph Pipa, Ed. Os Puritanos.